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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O pacifismo do ativismo profissional



“O que você consegue protestando, segurando uma faixa como de costume? Tenho visto isso há décadas. Isso não muda nada. As pessoas não prestam atenção. Por que prestariam? Não vale a pena. Mas quando as pessoas lutam, isso é alguma coisa. Isso sim chama atenção, e deveria, pois é real. Isso não é apenas um jogo simbólico como: “me sinto bem, tenho minha faixa.” Bom, não estou nem aí pra isso. Se isso fosse válido, se não fosse ineficaz… eu preferiria muito que fosse pacífico… ninguém seria colocado em perigo. Ninguém seria machucado ou preso. Ninguém seria atingido na cabeça pela polícia. Nem mesmo uma janela seria quebrada. Ideal. Exceto pelo fato de isso não dar certo.


A propriedade corporativa é o alvo mais óbvio na minha opinião. Bancos, lojas caras, redes como Starbucks e aí por diante. As pessoas entendem que são parte do sistema global, parte desta abusiva, padronizada forma destrutiva que está acabando com todas as diferenças, toda liberdade.”

sábado, 1 de dezembro de 2012

A Última Palavra - Por Feral Faun


“Quando você transmite informação, você se torna a própria informação”

- ADILKNO

Sim, é possível estar possuído… não por demônios, espíritos ou outras supostas entidades sobrenaturais. Sim, o que nos possui, minando qualquer tentativa de autonomia e autocriação, é a identidade. Essa coisa sem vida própria que nos guia para a morte como se estivéssemos famintos, cavalos açoitados pelas garras de algum fantasma.

No jogo da Insurgência - um combate vivido na guerra contra a civilização - é estrategicamente necessário usar identidades e papéis. Infelizmente, o contexto das relações sociais dá aos papéis e identidades o poder para definir os indivíduos que tentam usá-los. Então eu, Feral Faun, torno-me… um anarquista… um escritor… um discípulo de Stirner, pós-situacionista, um teórico anti-civilização… se não por minha própria visão, pelo menos aos olhos das pessoas que leem meus textos.

Eu assumo essas identidades somente em estado semiconsciente, com uma pequena consciência das armadilhas que posso encontrar. Elas se tornam ferramentas que eu posso usar para criar interações com outras que integram prática, análise, paixão em um insurgente jogo consciente e as abandono quando elas se tornam inúteis. De preferência, essas identidades são armaduras coladas em mim que impedem a possibilidade de interações reais… substituindo-as com as absurdas relações das identidades que os indivíduos realizam e não desfrutam de outras singularidades, mas, preferencialmente, encontram conforto em alguma imagem superficial da similaridade. Em tais relacionamentos, paixões, intensidade, amor, admiração, crueldade, a interação de uma critica real não tem lugar. O jogo consciente da insurgência é substituído por um jogo de raiva simulada e protesto ritualizado a respeito de todas as questões convenientes - que é o jogo do ativista anarquista e ativista profissional.

Bem, eu estou cansado, cansado de ser dominado pelo fantasma da identidade, cansado de interações meia-boca na qual ninguém ensina ninguém. Cansado do ódio simulado e protesto ritualizado que estão fora do jogo insurgente, cansado de contextos sociais que são sempre caixas que me isolam e me nomeiam, cansado de ser apenas informação para as pessoas ao invés de carne, sangue, desejo, paixão e intensidade. No momento em que você ler isso, Feral Faun deixará de existir… esta é a última palavra.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Ecotragedia cont...


Tragédias são momentos únicos (passageiros, por assim dizer, repentinos) por isso esse nome, por isso ganham espaço na mídia, por isso tanta audiência na TV.

O problema é que são oportunidades únicas... das pessoas ajudarem umas as outras, do Estado tomar medidas... do Capital lucrar ainda mais.

Preços de itens de primeira necessidade estão até 20x mais caros nas regiões mais atingidas. Depois reclamam dos saques !!!

Mas já dizia o SLOGAM:

"Copa do Mundo... o MUNDO TODO PARA!"

domingo, 29 de novembro de 2009

Vida Refinada [trecho]
























O açúcar branco é a sacarose isolada pelo refinamento do caldo da cana-de-açúcar. Não é um alimento encontrado pronto na natureza, sendo necessário ser isolado e concentrado por processos industriais. Consequentemente, não é um alimento saudável. A natureza nos fornece alimentos completos, com nutrientes correlacionados, não substâncias isoladas. Fomos adaptados para digerir a glicose encontrada nas frutas, nos tubérculos, nos cereais, e não a superdose introduzida com o açúcar refinado. Essa alta dosagem de glicose de uma só vez desestabiliza nosso metabolismo, provocando perda de minerais como o cálcio, magnésio, dentre outros.

Sua ingestão regular pode causar diversos problemas de saúde como: osteoporose, obesidade, câncer, cárie, reumatismo e diabetes melito. A diabetes é o melhor exemplo de como uma substância criada artificialmente pode danificar para sempre nosso organismo – isso porque a função de tal composto é unicamente ser saboroso. Se quiser levar uma vida saudável, a pessoa que desenvolve diabetes deverá fazer o que todos já devíamos fazer: levar uma alimentação sem açúcar branco. O impressionante é que até 300 anos atrás ninguém usava aditivos doces nas refeições diárias. Hoje em dia, muitas pessoas diabéticas veem na abstenção do açúcar um empecilho para encontrar prazer na sua alimentação.

A divisão do trabalho permite que as atividades necessárias para a manutenção da sociedade massificada sejam divididas entre as classes sociais. A cada classe compete um determinado tipo de atividade e a cada tipo de atividade cabe uma remuneração. Quanto mais complexa a sociedade, maior a gama de atividades (e remunerações). O termo divisão social do trabalho é o mais adequado e completo, uma vez que as barreiras de classe determinam os diferentes trabalhos e remunerações – a faxineira não realiza a atividade do engenheiro, e muito menos ganha um salário próximo ao valor do salário deste. E vice-versa.

Abrigo, alimento, saúde e higiene são demandas de cada indivíduo e, logo, de toda a sociedade ao mesmo tempo. No entanto, as atividades necessárias para que disponhamos desses itens estão divididas socialmente de uma forma desigual. Ou seja, as demandas são de todos igualmente, mas o trabalho realizado para o suprimento delas não é dividido de forma igualitária. Alguns trabalham mais que outros, alguns sujam as mãos mais que outros, mas alguns – que não são estes – são mais bem remunerados.

Algumas de nossas atividades cotidianas podem ser mais prazerosas que outras. Mas o domínio da realização de todas elas é indispensável para fundamentar a autonomia individual e para a superação do estado de alienação que nos mantém reféns daqueles que detêm o monopólio do capital, das ferramentas, da terra, do conhecimento e da tecnologia que sustentam a sociedade de massas. Mesmo assim, tendemos a dar mais atenção às atividades mais prazerosas.

A divisão social do trabalho permite àqueles que possuem maiores recursos relegar a maior parte do trabalho sujo a outras pessoas que a realizam em troca de um salário ou alguma outra recompensa. Quanto maiores os recursos financeiros, maior a capacidade de relegar a outros as atividades necessárias, porém não tão prazerosas. É uma maneira de "refinar" a vida, extraindo dela apenas o suprassumo do prazer, como se o resto não existisse – exatamente como fazemos com a sacarose da cana-de-açúcar.

Essa prática é embasada em uma maneira de ver o mundo entranhada em nossos hábitos. Aprendemos que é melhor lutar por um bom emprego, um alto salário, para que possamos pagar àqueles que pertencem a uma classe social inferior para que sujem as mãos por nós enquanto desfrutamos do "melhor" que a "vida" tem para oferecer. Todos os garçons, cozinheiras, porteiros, faxineiras, vigilantes, entregadores, secretárias e motoristas sabem do que estou falando.

Não é de se estranhar que quando uma catástrofe natural ou uma guerra colocam uma grande população à mercê dela mesma da noite para o dia, sem estado e infraestruturas básicas (abrigo, alimento, saúde e higiene), ela seja acometida por diversas outras tragédias. Como vimos nos recente exemplos em Nova Orleans, no Haiti, no Iraque, grupos se organizam para saquear, a violência se torna incontrolável, doenças se espalham, pessoas morrem por falta de serviços médicos, de saneamento e de comida. Elas não apenas não estão preparadas para viver sem a administração estatal, sem hierarquias, como também não conseguem lidar sozinhas com a manutenção de suas necessidades básicas, pois as estruturas físicas e sociais da divisão do trabalho simplesmente evaporaram sem ninguém ter ensinado como obter tudo aquilo de outra maneira que não pagando para que outros cuidem disso para elas.


Catharina Disangelista



Trecho do livro "SELVAGE - Da anarquia à selvageria".

Coletivo Você Tem Que Desistir - 2010

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Sociedade Morta-viva

O que significa ser “humano”, ou o que significa “ser humano”? Esta questão tem se tornado cada vez mais importante ao observamos um mundo moderno que parece “hostil ao homem” ou “desumano”. Existe uma grande indisposição de refletir sobre esta questão, pois a definição do conceito de humano recai sobre a questão do sentido da vida humana, o que é uma questão “metafísica demais” para o homem moderno. Este se acostuma a encontrar seu sentido na falta de sentido, e em nada mais. O sentido humano inclui a pergunta pela “função” humana, não no sentido funcionalista, mas no sentido da pergunta milenar “porque estamos aqui”, ou “qual o nosso papel na existência”?

Ao tentar definir nossa humanidade, os filósofos recorreram a uma série de aspectos do homem, desde a racionalidade até sua composição genética. Mas a pergunta pelo papel do homem não envolve apenas uma característica interna do homem. Envolve a etologia humana, ou seja, o comportamento humano, incluindo aí a cultura, as crenças e a ética. Hoje em dia, o significado da pergunta “o que você faz?” ou “qual a sua função?” é entendida como “qual é seu trabalho/emprego”. A pergunta sobre o que fazemos relaciona-se com a pergunta sobre qual o nosso papel, o que acaba determinando nossa auto-imagem, quer dizer, nosso conceito sobre quem somos. A pergunta “quem você pensa que é?” remete ao status social, o que por sua vez remete a uma profissão. Não raro, o primeiro dado biográfico que procuramos sobre as pessoas, logo depois do nome, é a profissão, a ocupação, o cargo, o lugar que esta pessoa ocupa não apenas na sociedade, mas na sociedade do trabalho. As roupas que vestimos e o modo como nos portamos reflete nossa posição nessa sociedade.

Num mundo que provoca tanto o trauma quanto o vício pelo trabalho, os eventos que ocorrem no local de trabalho ou os pensamentos decorrentes da atividade do trabalho têm sido os temas mais comuns nas conversas informais, mesmo nas conversas entre familiares, entre casais, entre amigos ou entre estranhos. O trabalho, e tudo que ele suscita, tem invadido gradualmente todo nosso tempo, nossa vida, nossa mente e todas as nossas disposições de ação. O comportamento no trabalho tem se tornado mais “condicionante” para o indivíduo do que sua convivência em qualquer outro espaço social. De fato, a tendência “alienante” do trabalho repetitivo, comum na era industrial, foi substituída por uma etologia que leva “a vida para o trabalho” e “o trabalho para vida”, em todos os seus aspectos. Até mesmo o aspecto lúdico, antes dissociado do trabalho, agora pode ser confundido com este, quando se torna mais comum ouvir a frase: “Isto não é brincadeira, é meu trabalho, mas eu me divirto muito com ele”. Assim, a etologia humana está cada vez mais, centrada na sociedade do trabalho, confundindo-se com a etologia do trabalho. Não apenas do trabalho humano, mas do trabalho “civilizado”, isto é, com vias para o progresso de uma sociedade tecnocrática, que muda numa velocidade espantosa, a ponto de não conseguirmos mais dar qualquer adjetivo a ela, pois os adjetivos se tornam rapidamente obsoletos. A mudança de forma desta sociedade está se acelerando a ponto de não podermos mais dar um diagnóstico preciso sobre sua situação.

O “ethos” exigido no local de trabalho, assimilado como “lição de vida” pelos “discursos motivacionais”, tem se tornado um “estilo de vida”, algo que se torna base para o comportamento em todos os outros aspectos da vida, como o relacionamento íntimo, o consumo, a postura ética, o posicionamento político, até mesmo a crença religiosa. A carreira enquanto estilo de vida se torna um fetiche: o indivíduo procura consumir qualquer coisa que esteja relacionado ao seu trabalho, como objetos de decoração que simbolizam sua formação. O olhar cotidiano se torna um “olhar médico”, um “olhar jurídico”, um “olhar filosófico”, e assim por diante. Tudo gira em torno da profissão. O indivíduo tem centralizado vida no trabalho mais do que em qualquer outra de suas capacidades humanas. Em outras palavras, a função artificial, criada para suprir uma sociedade de acúmulo, está substituindo nossa “função humana”, aquela responsabilidade que tínhamos no passado. Nestes termos, a sociedade do trabalho criou uma nova função para o homem, destituindo-o dos deveres que ele tinha antes e substituindo uma ética baseada na relação do homem com o sagrado por uma ética baseada na produção e no consumo.

Esta “função humana original” se assemelha à etologia dos animais não domesticados (ou selvagens), pois eles não vivem no acúmulo de poder, vivem na dádiva da vida. Esta vida “na graça” foi deixada de lado como algo aprisionador, pobre e primitivo. A questão que se coloca é então uma oposição entre trabalho, que é nossa função social nesta estrutura mercadológica, e nossa função humana, que é nossa função no e para o meio em que o humano estava originalmente inserido, no e para o qual ele surgiu. As duas funções não se confundem quando analisamos a humanidade no seu sentido mais amplo. Percebemos a substituição gradativa da função humana pela função do trabalho.

É nesse contexto que se insere a metáfora de uma sociedade de mortos-vivos, que representam seres com aparência superficial de estarem vivos e realizarem funções, porém sem qualquer conteúdo ou sentido para essas funções. Não apenas “somos para morte”, mas nossa função humana perdeu seu valor intrínseco, reduzindo-se a uma função que objetiva apenas a reprodução de comportamentos voltados ao trabalho. Mesmo o que não é chamado de trabalho, como o entretenimento e a arte, existem em função do trabalho, e seguem também a estrutura do trabalho, uma vez que esta assimila todas as atividades humanas e as classifica de acordo com um cálculo de eficiência. Perguntamos-nos o que “compensa” mais, ir ao teatro ou ao cinema, em termos de uma “eficiência de diversão”. Atividades reflexivas, que não nos distraiam o suficiente ou não ocupem ao máximo nossa atenção, são consideradas pouco divertidas. Ver um filme, por exemplo, é preferível a ler um livro, porque as múltiplas imagens fluindo constantemente fixam nossa atenção na multiplicidade de informações, deixando pouco espaço para refletir sobre a mensagem.

Um morto-vivo caracteriza-se por aquele ser que está destituído de sua função enquanto ser vivo, mas que ainda mantém uma função com fim em si mesma, caracterizada por um movimento programado, típico de um autômato ou de um objeto animado por mecanismos invisíveis. Seu “princípio de ação” é controlado por forças estranhas à vida, como um desejo insaciável de destruir/consumir vida pulsante, o que significa consumir aquilo do qual tem carência. Na literatura, mortos-vivos podem ser inteligentes, sedutores e refinados como os vampiros. Podem ter uma aparência atraente, ainda que por meio de um encantamento. Podem mudar de forma, e são imunes a ferimentos. Os mortos-vivos estão à caça dos vivos. Também apresentam a característica de infectar o outro com sua doença ou maldição, espalhando-a como um vírus. Os mortos-vivos andam à noite porque se escondem dos vivos. A vulnerabilidade ao espelho revela que eles também se escondem de si mesmos. São insensíveis e frios.

A perda das funções humanas leva a uma busca constante por algo que parece impossível de ser alcançado, pela reprodução de uma rotina sem sentido e sem finalidade. Isto é o que acomete todos os membros de uma sociedade morta-viva, gerando medo, raiva, desespero. A morte-vida, diferente da morte, se espalha dominando as mentes e os corpos, num movimento de expansão de influência e poder por via do engano e da violência. A morte fecha o ciclo da vida, mas a morte-vida impede o fechamento do ciclo da vida, criando um ciclo infindável dentro do ciclo vital, como uma referência circular ou um “loop infinito”. Ela nos desliga de nosso propósito como seres humanos e nos leva para uma espiral descendente de acúmulo e expansão de poder, seja pela brutalidade ou pela astúcia.

Não é por coincidência que alguns autores relacionaram os morto-vivos à maldição de Caim, o primeiro agricultor, primeiro assassino e também fundador da primeira cidade. Caim foi condenado a vagar pela terra sem rumo definido e recebeu uma marca que o impede de ser morto, porém todo seu trabalho resulta em cinzas. Ele é por definição o homem destituído de seu papel humano, condenado a caminhar para o vazio, numa existência sem sentido intrínseco.

Caim, que arou seu campo com o sangue de seu irmão, é o primeiro a acumular. Em hebraico, Caim significa “homem de posses”. Ele, que foi herdeiro da condenação ao trabalho pelo pecado da cobiça, agora também se torna fundador de uma nova maldição: a inveja que leva à destruição da vida em função do trabalho.

Nós elegemos o trabalho como fonte não apenas de sustento, mas de sentido existencial. Mesmo quando tentamos fugir do trabalho em atividades artísticas, estas só podem prover sustento porque outra pessoa trabalha para adquiri-las. A arte também pode ser mais procurada quanto menor o sentido de nossas existências, uma vez que ela provém um momento de sentido aparente. Mas a função humana não pode ser resgatada pela atividade artística. O sentido existencial não pode ser substituído pelo sentido estético.

Os membros da sociedade morta-viva são como insetos batendo numa lâmpada que eles pensam ser o sol. Contínua, furiosa e entorpecidamente, concentrando todo seu ser nesse fluxo aparentemente vital, porém originado do auto-engano. Caminhando na mentira que conduz à escuridão da morte do sentido.

Todos os aspectos do trabalho moderno, incluindo a programação de comportamentos pelo cálculo de produtividade, se tornam aspectos da vida moderna. Estes conduzem continuamente o indivíduo ao automatismo e ao artificialismo. E ao mesmo tempo ao prazer, à tentativa de aproveitar ao máximo as experiências agradáveis, ao consumo insaciável de “vida”. Mas a vida transformada em produto também se torna parte de um processo “sem sentido” quando o consumo acaba. Ou seja, este processo é a transformação de tudo que é vida em morte-vida. Luz em escuridão. E quando as luzes se apagam, é cada um por si, não há mais referência comum. Somos nosso único ponto de referência num universo restrito ao eu, onde o outro é uma ameaça, e não faz sentido falar sobre de onde viemos e para onde vamos.


Janos Biro
Goiânia, 01/09/09



Texto extraído do blog Uma Nova Cultura:
http://www.umanovacultura.blogspot.com/

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Pelo Caos (paz) em todo mundo



O relógio do edifício marcava 12:45 horas e eu estava no banho de sol (horário do almoço) em pleno viaduto do chá (SP); o garoto (negro desde nascência escuro de sol como o som dos racionais) caminhava com seus trapos de coberta suja na minha direção, fitava um olhar de ódio a todos, e eu sentado em cima do parapeito do viaduto senti daquele olhar uma ameaça. O medo surgia apartir do momento de que faziam 16 graus em sp e ele estava de bermuda descalço e com trapos de coberta suja sob os ombros para se aquecer, e eu estava com um pacote de bolacha, trocados no bolso, e bem aquecido.
Pensei em alguns instantes que ele por qualquer motivo poderia me empurrar do beiral do viaduto, achei até que ele tinha motivos, achei que não tinha nada a perder a me tacar no vale do anhagabaú.

Com o passar do medo, tive uma conclusão!

Enquanto pessoas estiverem sujeitas a miséria, aqueles que dizem estar fora dessa zona de risco se sentirão desprotegidas.
Enquanto uns conhecem a fome outros desconhecem a "Paz".

Por isso acho que, quem realmente quer se opor as rédias do capital deve quebrar os espectros da "paz" , deve opor-se a ela também, encará-la como um instrumento, uma espécie de remédio jogado 'guela' abaixo pela máquina, afim de nos domar, domesticar nossos mais fieis sentimentos de mudança, sabendo que não havendo cessão por um dos lados o conflito será inevitável.

(esse não é um blog pessoal desculpa ai !)

Ao som de samba, acredito eu.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

ESQUERDA? NÃO, OBRIGADO!
























Por John Zerzan


Não é que a energia que há no mundo está terminando. Em um determinado dia, em qualquer continente, podemos ver motins anti-governo; ações diretas de apoio à libertação animal ou para proteger a terra; esforços concentrados para resistir à construção de barragens, auto-estradas, instalações industriais; revoltas em prisões; focos espontâneos de vandalismo por pessoas de saco cheio ou entediadas; greves sem autorização de sindicatos; da energia de inúmeros infoshops, zines, acampamentos primitivos, escolas e encontros; grupos radicais de leitura, o "Food Not Bombs", etc. A lista de atos e projetos alternativos de oposição é muito considerável.

O que não está acontecendo é a esquerda. Historicamente, tem falhado monumentalmente. Que guerra, depressão ou ecocídio impediu? A esquerda já existe, principalmente, como um veículo combalido de protesto, por exemplo, o circo eleitoral que cada vez menos pessoas acreditam em qualquer forma. Não tem sido uma fonte de inspiração de muitas décadas. Está desaparecendo.

A esquerda está no nosso caminho e tem de sair.

O suco de hoje é com anarquia. Durante cerca de dez anos, tornou-se progressivamente mais clara que as crianças com a paixão e a inteligência são anarquistas. Progressistas, socialistas, comunistas estão grisalhos e não causam tesão na juventude. Alguns recentes escritos por esquerdistas (por exemplo, "Infinitely Demanding" de Simon Critchley) expressam a esperança de que a anarquia irá reavivar a esquerda, tão em necessidade de ser ressuscitada.
Isto parece-me pouco provável.

E o que é anarquia hoje? Esta é a história mais importante, na minha opinião. Uma mudança fundamental em curso, foi durante algum tempo, a que tem sido bastante sub-relatada por motivos bastante óbvios.

O anarquismo tradicional ou clássico é tão fora de questãocomo o resto da esquerda. Não é em nenhum momento parte da impressão freqüente que se tem no aumento de interesse sobre a anarquia. Observe o uso aqui: não é anarquismo que está avançando, mas a anarquia. Não uma teoria eurocêntrica fechada, mas uma "ideologia" aberta, que não detém barreiras questionando eresistindo.

A ordem dominante mostrou-se surpreendentemente flexível, capaz de cooptar ou recuperar inúmeros gestos radicais e abordagens alternativas. Devido a isto, chama-se para algo mais profundo, algo que não pode ser contido dentro dos termos do sistema. Esta é a principal razão para o fracasso da esquerda: se os fundamentos não são desafiados a um profundo nível, a cooptação é certa. O anarquismo até agora, não saiu da órbita do capital e da tecnologia. O anarquismo aceitou tais instituições como divisão de trabalho e de domesticação, essas as forças primárias da sociedade de massas - a qual também aceitou.

Entre numa nova perspectiva. O que é proeminentemente colocado vai por muitos nomes: anarco-primitivismo , neo-primitivismo, anarquia verde, civilização crítica, entre outros. Para breve, vamos apenas dizer que somos primitivistas. Há sinais dessa presença em muitos lugares, por exemplo, no Brasil, onde me juntei a centenas de jovens, principalmente no Carnaval
Revolução, em Fevereiro de 2008. Muitos me disseram que a orientação primitivista foi o tema da conversa e que o velho anarquismo estava visivelmente expirando. Existe uma rede anti-civilizaçã na Europa, incluindo os laços informais e reuniões bastante freqüentes em países da Suécia a Espanha e na Turquia.

Lembro-me de minha empolgação após descobrir as idéias Situacionistas: a ênfase na reprodução e no dom, os prazeres terrenos não sacrificam a auto-negação. A minha frase favorita dessa corrente: "No pavimento abaixo, a praia". Mas eles foram contidos pelos conselhos de trabalhadores e o aspecto producionista da sua orientação, que parecia em desacordo com a parte lúdica. Agora é hora de largar a última, e complementar a outra, parte mais radical.

Uma jovem mulher na Croácia levou tudo mais à frente com a sua conclusão de que o primitivismo é como base um movimento espiritual. A busca da integralidade, imediatez, reconexão com a terra não é espiritual? Em Novembro de 2008 eu estava na Índia (Delhi, Jaipur), e pude ver que apresentando uma abordagem anti-industrial ressoou entre as pessoas de várias origens espirituais, incluindo pessoas influenciadas por Gandhi.

Vozes e atividades primitivas dispersas já existem na Rússia, China e nas Filipinas, e sem dúvida em outras regiões. Isso pode ainda não constituir um movimento surgindo de baixo da superfície, mas a realidade está empurrando nesta direção, como eu vejo isso. Não é apenas uma evolução
lógica, mas uma que visa o coração da negação reinante, e há muito esperada.

Esta movimento primitivista nascente deve vir como nenhuma surpresa dado ao escurecimento da crise que vemos, envolvendo todas as esferas da vida. É armado contra o industrialismo e as promessas da alta tecnologia, que só têm agravado a crise. A guerra contra o mundo natural e uma tecno-cultura cada vez é mais árida e desolado, são fatos gritantes. A máquina não é a resposta, mas é profundamente, o problema. Tradicionalmente o anarquismo de esquerda quer as fábricas para serem auto-gestionadas pelos trabalhadores.

Nós queremos um mundo sem fábricas. Eu poderia ser mais claro, por exemplo, que o aquecimento global é uma função da industrialização? Ambos começaram há 200 anos, e cada passo em direção a uma maior industrialização tem sido um passo em direção a um maior aquecimento global.

A perspectiva primitivista baseia-se em indígenas, na sabedoria pré-domesticada, tenta aprender com os milhões de anos de existência humana antes da/para a civilização. A vida de caçadores-coletores, também conhecida como a sociedade de bandos, era a original e a única anarquia: comunidades face a face em que as pessoas assumiam a responsabilidade para si
próprios e uns aos outros. Queremos que haja alguma versão disto, um mundo-vida radicalmente descentralizado, e não a globalização, a padronização da sociedade de massas, em que todas as tecnologias brilhantes repousam sobre a escravidão de milhões de pessoas e a sistemática matança da terra. Alguns estão horrorizados por estes novos conceitos. Noam Chomsky, que ainda acredita em todas as mentiras do progresso, chama-nos de "genocidistas" . Como se a continuação da proliferação do tecno-mundo moderno não já é genocida!

Eu vejo um crescente interesse em desafiar essa marcha da morte em que estamos. Afinal, onde o iluminismo ou a modernidade fez algo de bom em seus pedidos de melhoria? A realidade é constantemente empobrecida em todos os sentidos. Os hoje quase rotineiros massacres em escolas, shoppings e locais de trabalho falam tão alto quanto o desastre ecológico que tem desdobramento em torno do globo. A esquerda tentou bloquear o aprofundamento extremamente necessário do discurso público, que inclui um questionamento da real profundidade das evoluções assustadoras que enfrentamos. A Esquerda precisa de ir de maneira radical, visões inspiradas podem vir mais à frente e serem compartilhadas.

Um mundo cada vez mais tecnificado onde tudo está em risco só é inevitável se continuarmos a aceitá-lo como tal. A dinâmica de tudo isso repousa nas instituições primárias que devem ser contestadas. Estamos vendo o início deste desafio agora, superando as falsas alegações de tecnologia, capital, e da cultura pós-moderna de cinismo e superando o cadáver da esquerda,
e os seus horizontes ilimitados.

Ver mais em: http://www.johnzerz an.net/articles/

    segunda-feira, 8 de junho de 2009

    PRISÃO SEM MUROS


    Mais um dia entre a massa, nas ruas nos transportes coletivos, nos bancos e supermercados, as pessoas se aglomeram buscando espaço pra respirarem aliviadas do massacre diário exercido por aquilo que chamamos de “VIDA COMUM”.
    Essa coisa está em todos os lugares tirando o resto de vida que ainda temos. Oito horas ou mais, dedicadas a algo que realmente não tem nenhum valor pra você.

    Escolas que reprimem as crianças tomando delas toda a espontaneidade baseadas em valores morais que antes foram estabelecidos pelo senhor burguês branco europeu, como mais uma forma de manipulação sobre o povo. O capital tenta todos os dias roubar o brilho de nossos olhos, injetando cada dia mais medo e desconfiança em nossas ações.
    Sejamos nós o contraste, o avesso, um espelho onde a apatia e a alienação possam bater e voltar de onde vieram. O coração pega fogo. Nós ainda respiramos nesse vale escuro, se é preciso caminhar nas sombras então que seja assim.
    A cordialidade será deixada de lado, ações se fazem necessárias, como jovens raposas descobrindo que pra viver é necessário subverter valores. Quem diz o que é certo ou errado somos nós e ninguém mais. Seremos traidores desleais entre os bons heróis do capital. Jogaremos com suas mesmas armas, lhes faremos confiar em nossas palavras e no alto do entusiasmo aplicaremos a rasteira e os veremos cair de cara, isso se ainda houver um chão. A discórdia será implantada aos pouco em todos os setores nós os veremos se comerem vivos pelo dinheiro pelo poder por seja lá o que for.
    Continuamos aqui esmagando o preconceito e a intolerância seja aonde for, nas mais simples ações.
    A fé em todas suas formas será desmistificada. Não contribuiremos com mais essa mentira. De acordo com os grandes donos da terra, nós somos burros e só servimos pra dar lucro. Está bem, aceitamos isso, mas dessa vez esse lucro terá gosto de vingança. Imaginem séculos de repressão revertidos em contra-ataque, como poderão conter? Eles vão bater e nós vamos levantar e tentar de novo, não adianta, não iremos perder. Ontem o receio foi embora, hoje percebemos o quanto nossas vidas podem ser melhores. Lembro de um show onde ouvimos a frase “SE FOR SERVIR AO CAPITAL SEJA DESLEAL” isso nunca fez tanto sentido como agora.
    Seja esperto não tenha piedade, pois eles não sabem o que é isso. Abram os olhos, descubram seus reais inimigos. Independentemente do rótulo que carregue, saiba reconhecer quem é oprimido assim como você. Quebre o gelo, estabeleça o diálogo, esqueça as aparências e vá de encontro ao desconhecido.

    ISSO NÃO SE RESTRINGE A NENHUM GRUPO, TRIBO OU MOVIMENTO todos devem ser atingidos. Devolva o ódio a quem faz por merecer .


    Falem o que quiser, mas nós os garotos e garotas punks seremos chatos até o fim, mas nossas vidas terão algum sentido somos nossos próprios senhores xxx.



    PRISÃO SEM MUROS

    quarta-feira, 13 de maio de 2009

    x Straight Edge é Politica x

    Já faz um tempo que venho pensando sobre esse assunto e em tudo que envolve o Straight Edge e suas evoluções. Tenho me perguntado pra onde caminham nossas posturas e nossas decisões . O SxE nasceu como postura de rompimento dentro do atual estado das coisas, é como se o punk fosse um bêbado com um "a" de anarquia tatuado no braço e uma garrafa de pinga, vestindo uma camisa do dead kennedys voltando pra casa e o SxE fosse o amigo que vem pra ajudá-lo a chegar em casa e dar alguns conselhos.

    Talvez essa seja a imagem do SxE positivo que tanta gente fala, o punk que viu que era possível fazer as coisas sem ter que se fuder e aceitar tudo aquilo que lhe fizeram acreditar como única saída. Pra mim, a negação a tudo isso faz o SxE ser político.

    Uma coisa que é importante dizer é que o SxE não pode nunca se fechar para o mundo, ele tem sim esse caráter de mudança social, ou seja, tem que estar em constante evolução. SxE é idéia, e idéias precisam ser questionadas pra poderem evoluir! É dever nosso a auto-crítica, isso fortalece a idéia. Fazemos parte de um meio em que tudo deve ser posto em cheque, aceitar as coisas assim facilmente é no mínimo incoerência, devemos ver o que há por trás de tudo inclusive de nós mesmo.

    As brigas de punk VS pride, ateus VS cristão, pro-choice VS pro-life são coisas a se pensar, talvez um pouco mais de respeito por parte dos dois lados seja o ideal. Não falo pra sermos todos amigos de infância, mas sim o mínimo de tolerância com a outra parte e que fique bem claro que este texto não tem a intenção de atacar ninguém, apenas estou falando das coisas que eu acredito, acho que todos têm esse direito. Quem sabe assim não conseguimos um dia viver como na capa daquele split do BETERCORE com o BOYCOT aonde tem um punk dando a mão pra um SxE youth crew, nossa convivência é inevitável, direto nos esbarramos na rua e fica difícil sair na porrada toda vez que isso acontece e creio que ninguém quer guerra a vida toda, pelo menos eu não quero.

    No começo o SxE era vinculado com a negação de várias coisas e hoje muita gente já acha que ele é um movimento próprio que foi adaptado pelo sistema pra gerar lucro. Pelo contrário, SxE é a contra mão disso, então por isso me entristece ver alguém com um "x" na mão e um Nike no pé. É o tipo de coisa que é inconcebível pra mim, fico pensando se o cara realmente sabe os males que esse tipo de futilidade acarreta para a vida de outras pessoas, é como se a única coisa que importasse fosse o seu próprio bem estar.

    SxE também tem a ver com solidariedade, mesmo sendo uma idéia pessoal ele atinge a vida de outras pessoas direta ou indiretamente, só pra dar alguns exemplos: com certeza sua família prefere você livre de drogas, certamente isso é um exemplo direto. O vendedor de bebidas/drogas que vai deixar de lucrar é um exemplo indireto. Citei isso pra mostrar como é ingenuidade achar que SxE é algo que só afeta a você mesmo. Só pra se ter uma idéia dos males que a indústria e o capital trazem a nossas vidas, vou falar um pouco das Multinacionais. A coca-cola, por exemplo, causa todos os anos um enorme desequilíbrio ambiental causado pela imensa quantidade de água desperdiçada por suas fábricas engarrafadoras na sua produção, sem contar nas pessoas que são mortas com a conivência da empresa por apresentarem algum tipo de risco ao segredo do refrigerante ou água negra do capital. Você sabia que a nike explora milhões de pessoas miseráveis nos países onde a situação econômica é mais critica, onde podem fazer seus operários trabalharem 12 horas por dia ganhando menos de 30 centavos por dia? A nike tem fábricas ao redor do mundo, especialmente em países de terceiro mundo, onde as leis são escassas e onde os direitos humanos não são respeitados. As fábricas empregam trabalhadores menores de idade, crianças de 12 e13 anos trabalhando em turnos de 12 horas em condições tão horríveis que seria difícil achar algo parecido em nosso país. Eles lucram milhões com o sofrimento de pessoas e vendem a imagem de que é super legal ter um nike no pé. Isso é no mínimo algo a se pensar, não acham?

    Esses foram apenas dois exemplos, podemos ver isso todos os dias até nas ações mais pequenas como comprar um jornal pra ler e tomar café da manhã com a família, basta prestar mais atenção e não sermos tão arrogantes diante das coisas.

    O capital desperta o que há de pior no ser humano!

    A retomada da identidade política no Straight Edge é algo que devemos buscar. Chega de pose e apatia, devemos sim nos preocupar com outras coisas. Ao invés de moshar e manter o visual, desassociar o SxE da política é o mesmo que ser vegano unicamente por questão de saúde, nem preciso mais dizer o quanto o SxE pode ir além dessas coisas fúteis, acho que todos sabemos aonde ele pode chegar mesmo estando em constante evolução assim com as pessoas. Não quero aqui também ser o dono da verdade, mesmo porque não acredito em verdade absoluta, quero mais é que me façam refletir sobre minhas próprias convicções e se eu achar necessário mudar de postura, o farei. Essa sim será uma atitude coerente com tudo que prezo, nem a vaidade e nem o ego irão me cegar.

    É necessário ler mais e dialogar mais sobre as nossas duvidas e certezas, sair as ruas e ver como a vida é de verdade e não achar que o SxE/Hardcore é um outro mundo. Estamos inseridos neste contexto chamado sociedade e é nele que devemos atuar, como diz o NO VIOLENCE: “em todas as frentes temos que lutar, há um novo dia por vir”.

    Temos um potencial imenso, mas precisa ser posto em prática, se não de nada vale tudo o que sabemos. Só a organização aliada a ação é que fazem a diferença, mas pra isso é preciso querer essa mudança e se sentir incomodado com o atual cenário das coisas e é isso que eu sinto falta hoje em dia, parece que já conquistamos tudo e nada mais precisa ser feito. Não, eu não penso assim, temos uma porção de batalhas pela frente e acho que o SxE pode ser UMA das maneiras de lutarmos contra tudo aquilo que nos tira o direito de ser quem queremos ser.

    Bem, já falei demais é hora de deixar as pessoas pensarem sobre tudo o que disse mas que fique bem claro: Straight Edge é política, Straight Edge é revolução .


    Por favor se você leu tudo isso e achou uma grande merda, se expresse e mostre seus pontos de vista! Sentirei prazer em discutir de forma respeitosa e amigável com quem quer que seja .
    NÃO JOGUE ESTE MATERIAL NO LIXO. Não gostou? Passe adiante, gostou?leia e passe pra frente, não monopolize a informação talvez tenha alguma serventia para outra pessoa
    .

    ESTE TEXTO SERÁ PUBLICADO COMO PARTE DO FANZINE IMPRESSO JUVENTUDE INCONFORMADA


    Estou pouco me importando para os possíveis erros gramaticais!

    XlazaroX

    E-mail para contato: kaosedanos@hotmail.com

    terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

    No Olho Do Furacão




    De que adianta discutir monstros sagrados do pensamento? Essa coisa de ter que respeitar tudo e todos
    nada mais é que a moral se manifestando em menor escala e de maneira diferente daquela que conhecemos e vemos todos os dias.
    Teorizar e devagar dentro de um gabinete acarpetado não muda absolutamente nada.
    Não quero o respeito! Não quero aparências! Não quero pensamentos que não se aplicam em minha realidade!
    QUERO ESTAR NO OLHO DO FURACÃO, poder tocar e sentir a mudança se materializando na minha frente e até mesmo andar nas ruas sem lugar pra ir ja é algo mais efetivo do que acumular um monte de informção só para parecer "culto".
    Não estou dizendo pra que todos queimem seus livros e finjam que eles não são importantes, a questão é : o que você sabe de verdade? E o que você faz com o conhecimento que tem?
    Animais mesmo tendo uma capacidade mental bem abaixo da dos seres humanos tem muito mais coragem que nós que esperamos anos até aprender uma coisa pra, daí, então, pensar se possamos fazer algo.
    Mais uma vez o equilibrio se mostra presente.

    APRENDA SIM TUDO O QUE PUDER, MAS VÁ PARA A PRÁTICA O QUANTO ANTES. SÓ A PRÁTICA MUDA AS COISAS!

    XLAZAROX

    segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

    Cotidiano Competição


    Desde cedo as crianças são induzidas pelas escolas a competir, isso causa nelas um forte instinto egoísta, que com o passar dos anos, essa situação vai se agravando cada vez mais, fazendo com que essas crianças virem adultos extremamente competitivos, invejosos e ambiciosos, mas não de uma maneira sadia como todo profissional no mercado de trabalho deve ser, e sim de uma maneira doentia, que, além de fazer mal ás outras pessoas, fará mal a ela mesma!
    Isso é com certeza uma herança burguesa deixada com o intuito de envolver as pessoas com a ideia de que isso é uma coisa positiva, pois eles não querem que as pessoas descubram essas falsos sentimentos pois isso de certa forma enfraqueceria o monopólio que eles tem sobre a sociedade, pois afinal essas pessoas competitivas trabalham para eles.
    O ideal é informar as pessoas da ideia de destruir todo e qualquer tipo de dogma e fazer com que essas pessoas se livrem disso e sejam o que elas são de verdade.

    Por xlazarox e xdedix



    domingo, 28 de dezembro de 2008

    Ação Direta!


    Ação direta pode ser definida como qualquer ação que trata diretamente de uma questão, fazer uma diferença física no e do mundo, desconsiderando a percepção dos outros sobre isso. Seu efeito fundamental é causar uma mudança real no mundo físico - e isso pode ou não mudar o mundo mental dos outros. (Exemplo: Se você alimentar uma pessoa faminta, você estará direta e fisicamente causando uma mudança física no mundo - se dedicando a um interesse que você vê. Essa ação pode ou não acabar mudando a opinião de alguém sobre a questão - mas a questão foi tratada no mundo físico, mesmo que a mente das pessoas seja ou não mudada).

    Lawrence Jarach propos uma explicação adicional útil em seu artigo "Instead of a Meeting":

    "Esse termo (ação direta) se tornou distorcido e mal utilizado por vários ativistas políticos nos últimos 30 anos. Em seu significado anarquista original, o termo se refere a qualquer ação ocorrida sem permissão, e fora dos interesses de instituições governamentais. Significa se voluntariar ao Food Not Bombs (comida, e não bombas), entrar em greve (principalmente sem a aprovação de um sindicato), expropriação, ou produzir uma estação de rádio livre. Não significa se engajar em desobediência civil com a cooperação da polícia; não significa romper com a lei ou quebrar uma vritrine se a intenção for meramente registrar uma desaprovação de alguma lei governamental. Destruir coisas podem ser exemplos de ações diretas - mas a intenção por detrás desses atos é o que é importante, e não os atos em si. A ação direta não tem nada a ver com pressionar qualquer parte de um governo para modificar uma lei; ela é, por definição, anti-estado. Tentar alterar uma diretriz governamental é chamado de lobbying; ele é direcionado aos representantes, e portanto, não pode ser chamado de ação direta. Apresentar uma lista de exigências ou protestar contra uma lei em particular, com a esperança de ser notado pelo estado (do qual os governantes de alguma forma irão mudar algo no modo que essa lei funciona), jamais é uma ação direta, mesmo se os meios utilizados para pressionar os governantes sejam ilegais. Ação direta é quando nós fazemos coisas para nós mesmos, sem pedir, perguntar ou exigir que alguma autoridade nos ajude".

    Uma terceira e excelente descrição do significado da ação direta foi apresentada em um artigo chamado "(What could there possibly be) Beyond Democracy?" publicado na Harbinger #3, uma publicação lançada pela CrimethInc. Aqui está:

    "Autonomia significa ação direta, sem esperar por requerimentos para se passar pelos "canais estabelecidos" só para depois se atolar em papeladas burocráticas e negociações sem fim. Estabeleça seus próprios canais. Se você quer que pessoas famintas comam, não dê dinheiro para a caridade rica e burocrática; descubra aonde a comida está sendo desperdiçada, colete-a, e alimente essas pessoas. Se você quer uma casa própria acessível, não tente ir atrás da prefeitura da sua cidade para que seja feita uma lei - que demorará anos, enquanto pessoas dormem nas ruas todos as noites; ocupe prédios abandonados e divida-os, e organize grupos para defendê-los quando os capangas dos proprietários ausentes aparecerem. Se você quer que as corporações percam seu poder, não faça petições para que os políticos imponham limites em seus próprios mestres; descubra modos de trabalhar com outros para que simplesmente tome o poder deles: não compre seus produtos, não trabalhe para eles, sabote seus anúncios, propagandas e prédios; impeça que seus encontros aconteçam, e que seus produtos sejam produzidos ou entregue ao mercado. Eles usam táticas similares para exercerem poder sobre você; só parece válido porque eles compraram leis e hábitos sociais, também. Não espere permissão ou organização de alguma autoridade de fora, não implore para um poder maior organizar sua vida para você. Aja".

    Texto extraído da biblioteca do site Erva daninha - Iniciativa anarquista-verde: http://ervadaninha.sarava.org/