sexta-feira, 21 de agosto de 2009

[Peru] Pronunciamento libertário sobre os acontecimentos na Amazônia





















Pretendem que a gente viva uma farsa. O poder opressor (Capital, Estado etc.) não somente utiliza da violência física para nos controlar, mas também cria uma jaula invisível chamada “normalidade” para se apoderar do pensamento e das aspirações dos dominados, impedindo-os de ver a possibilidade de sua própria libertação. Quem desobedecer será sancionado socialmente como sonhador ou subversivo. Os meios de comunicação também são armas: disparam cortinas de fumaça para desviar a nossa atenção, e assim esquecemos as injustiças cotidianas. A imprensa maquia os fatos, os transforma em mercadoria, banaliza a morte. Por isso, enquanto as pessoas eram assassinadas em Bagua, rapidamente o sistema tratou, em primeiro plano, de fazer um teatro, exaltando novas glórias esportivas, com manchetes repletas de fervor patriótico: o vermelho da bandeira peruana se sobrepondo ao vermelho do sangue dos mortos no conflito ainda não resolvido na Amazônia.

O regime pretende ocultar que ainda existem centenas de desaparecidos, dezenas de presos, famílias desconsoladas, comunidades incompletas, pois, no ataque policial, muitos daqueles que fugiram ainda não voltaram. As arbitrariedades nas prisões são as coisas mais comuns. Pretendem provocar a desmoralização das pessoas para acabar com anos de luta e organização, mas, apesar da repressão, os povos amazônicos seguem dispostos a lutar.

Não, não defendemos a soberania nacional, se isto significa propriedade do Estado e domínio de sua burguesia local. Somos partidários da administração direta das comunidades, de sua capacidade de autogestão. Somos contra o desenvolvimento cego e a indústria depredadora, é o momento de formular formas radicalmente distintas de convivência, sem exploração do homem e da natureza. Não atacamos a empresa transnacional por ser estrangeira, mas sim por ser exploradora, capitalista. A luta amazônica não foi provocada pelo chavismo ou outros supostos agitadores. Estas são mentiras do governo que quer encontrar falsos culpados e negar a capacidade das comunidades de atuarem por si mesmas. Defendemos a autonomia dos povos e desejamos espaços livres de contaminação não somente no Peru, mas em todo o mundo. Este conflito não é uma guerra de “Estados imperialistas” contra suas Neo-colônias, o Capital usa qualquer bandeira (o inimigo também se veste de vermelho e branco) por isso compreendemos que, para nos liberar, é inútil falar de “pátria”.

Não se trata de manter espaços para o turismo ou de uma saudade cafona do bom selvagem. As comunidades indígenas possuem seus próprios conflitos. Não idealizamos, simplesmente somos solidários contra o inimigo comum. O poder opressor tem atacado sem dó, tem matado, continua matando e pretende que a gente olhe para outro lado para que possa prosseguir impunemente. Esta luta é a luta de todos, e se hoje são os indígenas amazônicos, amanhã pode ser qualquer um o “desaparecido”, pois o Estado e o Capital são o mundo da não-troca, da homogeneidade repressiva que cospe em nós se tivermos a ousadia de questioná-los. Para este mundo, somente existimos como objetos, como mercadoria, somos descartáveis.

Lutemos. Vamos opor a essa normalidade homogeneizante a nossa diversidade crítica. Sejamos a negação dessa farsa. Como dizem os zapatistas no México: Se neste mundo não cabemos, então outro mundo terá que ser feito.

Anarquistas em Lima

Sábado,15 de agosto de 2009.

Tradução > Marcelo Yokoi

agência de notícias anarquistas-ana

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Pequena Ameaça # 3 - Publicação Aperiódica Anarquista
























Publicação com 20 páginas contendo Textos, Poemas, Entrevistas, Resenhas, Propagandas Conspiratórias... etc!


Download do Zine:
http://www.4shared.com/get/122724091/5846dd57/pequena_ameaa_-_3_-_PDF.html


obs.: se quiser receber pelo correio é só entrar em contato pelo e-mail: pequenaameaca@gmail.com

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Discrepante - "Por Você"


Discrepante é uma banda Power Trio Anarco Crust Punk Violence do itaim paulista, extremo leste da cidade de São Paulo, formada pelos irmãos Daniel, Gênio e Nando.

Em seu álbum "Por Você", lançado em 2006, eles fazem das dez faixas existentes no disco algo totalmente pertubador e ensurdecedor... "Qual o motivo do teu orgulho, se esse "mérito" envolve toda uma grande privada? Teu orgulho é uma merda e isto não te torna diferente dele".

Música rápida, suja e agressiva com influências que vem de bandas Punk/Hardcore como Concrete Sox, Discharge, Avskum, GBH, Disclose e muita coisa boa dos anos 80´s... Suas letras atacam e ironizam a violência do Estado e os valores morais que formam a ordem vigente: "Nossa liberdade é limitada por malditas leis que regem a civilização(...). Um dogmatista, sistemático é quem toma a decisão... Por você".


MYSPACE:

http://www.myspace.com/discrepante

Obs.: copie e cole o link.

Download do álbum:

http://www.4shared.com/file/113517734/e7a9afb5/Discrepante_-_Por_Voc_cdr_2006.html

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

[EUA] "Companheiro" era um infiltrado do FBI


[Recentemente foi descoberto um agente secreto do FBI que se infiltrou e espionou as comunidades anarquistas e anti-guerra nas cidades de Tacoma e Olympia, localizadas no Estado de Washington. Nos últimos dois anos o militar participou de reuniões, eventos e ações organizadas pelos ativistas em ambas as cidades levantando informações sobre ele/as. Suspeita-se que exista uma grande rede de espionagem em todo Estados Unidos mirando anarquistas, ecologistas radicais, ativistas anti-guerra, entre outros dissidentes. A seguir um texto escrito por um companheiro estadunidense que também pode servir de alerta para comunidades anarquistas fora daquele país.]

Um aviso aos companheiro/as anarquistas

A caça às bruxas continua. A Limpeza Vermelha e o McCartismo, muitos diriam, são relíquias dolorosas, e pertencem ao passado. Infelizmente, como o programa jornalístico independente Democracy Now! (Democracia Já!) divulgou, isto não é verdade.

O Governo Federal dos Estados Unidos, uma entidade que somente existe para receber ordens do setor privado (veja o desastre do setor da saúde), ainda está tentado criminalmente encontrar terroristas insanos que bombardeiam as pessoas, vivem nas florestas, e aspiram um mundo de caos, que também se auto-referem como anarquistas. Para o desalento deles, isto é, na verdade, um tanto difícil de encontrar.

Esta não é a hora e nem o lugar em que tratarei sobre violência; que é uma discussão muito válida. Mas não hesitaria em afirmar que o/as anarquistas são estatisticamente muito menos violentos que os chefes de Estado, corporações ou a maioria dos outros grupos.

Infelizmente para o/as anarquistas, isto não é uma relíquia, e devemos ser cauteloso/as e vigilantes em relação ao que fazemos e com quem nos juntamos.

Brendan Maslauskas Dunn, anarquista e ativista antimilitarista, descobriu que um companheiro era na verdade um espião militar, assim como o Democracy Now! contou. Ele descobriu que seu amigo “John Jacob” era na verdade um espião chamado John Taylor, um espião militar que atuava via The Freedom of Information Act¹ (Ato pela Liberdade de Informação).

Qual era a missão do John Taylor? Maslauskas Dunn disse que ele fazia parte de um enorme projeto do FBI para monitorar os meios anarquistas a fim de encontrar motivos para dar batidas policiais nos Infoshops, ou nas casas do/as ativistas.

Segundo Maslaukas, entre outras ações realizadas, “a polícia colocou uma câmera, uma câmera de vigilância, na rua que dá para o centro comunitário do/as anarquistas em Tacoma, chamado Pitch Pipe Infoshop”.

Mais perturbador, a polícia planejava fazer uma batida na casa onde Maslauskas e outro/as ativistas vivem na tentativa de encontrar explosivos, drogas, e outras armas.

Companheiro/as, espalhem essa mensagem, especialmente em Tacoma e Olympia. Neste ponto, não sabemos empiricamente o quão meticulosa permanece esta operação. Então, tome cuidado com as novas pessoas dentro de seus próprios meios locais, mantenha suas orelhas e seus olhos abertos, e divulgue a informação para que companheiro/as anarquistas possam ficar atento/as. Com o capital global enfrentando crises, é muito provável que a caça às bruxas se intensifique.

Alex Bradshaw

[1] Lei que permite espionagem sem mandado judicial nos Estados Unidos, criada pelo ex-presidente estadunidense George W. Bush.

Tradução > Marcelo Yokoi

agência de notícias anarquistas-ana

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Pelo Caos (paz) em todo mundo



O relógio do edifício marcava 12:45 horas e eu estava no banho de sol (horário do almoço) em pleno viaduto do chá (SP); o garoto (negro desde nascência escuro de sol como o som dos racionais) caminhava com seus trapos de coberta suja na minha direção, fitava um olhar de ódio a todos, e eu sentado em cima do parapeito do viaduto senti daquele olhar uma ameaça. O medo surgia apartir do momento de que faziam 16 graus em sp e ele estava de bermuda descalço e com trapos de coberta suja sob os ombros para se aquecer, e eu estava com um pacote de bolacha, trocados no bolso, e bem aquecido.
Pensei em alguns instantes que ele por qualquer motivo poderia me empurrar do beiral do viaduto, achei até que ele tinha motivos, achei que não tinha nada a perder a me tacar no vale do anhagabaú.

Com o passar do medo, tive uma conclusão!

Enquanto pessoas estiverem sujeitas a miséria, aqueles que dizem estar fora dessa zona de risco se sentirão desprotegidas.
Enquanto uns conhecem a fome outros desconhecem a "Paz".

Por isso acho que, quem realmente quer se opor as rédias do capital deve quebrar os espectros da "paz" , deve opor-se a ela também, encará-la como um instrumento, uma espécie de remédio jogado 'guela' abaixo pela máquina, afim de nos domar, domesticar nossos mais fieis sentimentos de mudança, sabendo que não havendo cessão por um dos lados o conflito será inevitável.

(esse não é um blog pessoal desculpa ai !)

Ao som de samba, acredito eu.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

ESQUERDA? NÃO, OBRIGADO!
























Por John Zerzan


Não é que a energia que há no mundo está terminando. Em um determinado dia, em qualquer continente, podemos ver motins anti-governo; ações diretas de apoio à libertação animal ou para proteger a terra; esforços concentrados para resistir à construção de barragens, auto-estradas, instalações industriais; revoltas em prisões; focos espontâneos de vandalismo por pessoas de saco cheio ou entediadas; greves sem autorização de sindicatos; da energia de inúmeros infoshops, zines, acampamentos primitivos, escolas e encontros; grupos radicais de leitura, o "Food Not Bombs", etc. A lista de atos e projetos alternativos de oposição é muito considerável.

O que não está acontecendo é a esquerda. Historicamente, tem falhado monumentalmente. Que guerra, depressão ou ecocídio impediu? A esquerda já existe, principalmente, como um veículo combalido de protesto, por exemplo, o circo eleitoral que cada vez menos pessoas acreditam em qualquer forma. Não tem sido uma fonte de inspiração de muitas décadas. Está desaparecendo.

A esquerda está no nosso caminho e tem de sair.

O suco de hoje é com anarquia. Durante cerca de dez anos, tornou-se progressivamente mais clara que as crianças com a paixão e a inteligência são anarquistas. Progressistas, socialistas, comunistas estão grisalhos e não causam tesão na juventude. Alguns recentes escritos por esquerdistas (por exemplo, "Infinitely Demanding" de Simon Critchley) expressam a esperança de que a anarquia irá reavivar a esquerda, tão em necessidade de ser ressuscitada.
Isto parece-me pouco provável.

E o que é anarquia hoje? Esta é a história mais importante, na minha opinião. Uma mudança fundamental em curso, foi durante algum tempo, a que tem sido bastante sub-relatada por motivos bastante óbvios.

O anarquismo tradicional ou clássico é tão fora de questãocomo o resto da esquerda. Não é em nenhum momento parte da impressão freqüente que se tem no aumento de interesse sobre a anarquia. Observe o uso aqui: não é anarquismo que está avançando, mas a anarquia. Não uma teoria eurocêntrica fechada, mas uma "ideologia" aberta, que não detém barreiras questionando eresistindo.

A ordem dominante mostrou-se surpreendentemente flexível, capaz de cooptar ou recuperar inúmeros gestos radicais e abordagens alternativas. Devido a isto, chama-se para algo mais profundo, algo que não pode ser contido dentro dos termos do sistema. Esta é a principal razão para o fracasso da esquerda: se os fundamentos não são desafiados a um profundo nível, a cooptação é certa. O anarquismo até agora, não saiu da órbita do capital e da tecnologia. O anarquismo aceitou tais instituições como divisão de trabalho e de domesticação, essas as forças primárias da sociedade de massas - a qual também aceitou.

Entre numa nova perspectiva. O que é proeminentemente colocado vai por muitos nomes: anarco-primitivismo , neo-primitivismo, anarquia verde, civilização crítica, entre outros. Para breve, vamos apenas dizer que somos primitivistas. Há sinais dessa presença em muitos lugares, por exemplo, no Brasil, onde me juntei a centenas de jovens, principalmente no Carnaval
Revolução, em Fevereiro de 2008. Muitos me disseram que a orientação primitivista foi o tema da conversa e que o velho anarquismo estava visivelmente expirando. Existe uma rede anti-civilizaçã na Europa, incluindo os laços informais e reuniões bastante freqüentes em países da Suécia a Espanha e na Turquia.

Lembro-me de minha empolgação após descobrir as idéias Situacionistas: a ênfase na reprodução e no dom, os prazeres terrenos não sacrificam a auto-negação. A minha frase favorita dessa corrente: "No pavimento abaixo, a praia". Mas eles foram contidos pelos conselhos de trabalhadores e o aspecto producionista da sua orientação, que parecia em desacordo com a parte lúdica. Agora é hora de largar a última, e complementar a outra, parte mais radical.

Uma jovem mulher na Croácia levou tudo mais à frente com a sua conclusão de que o primitivismo é como base um movimento espiritual. A busca da integralidade, imediatez, reconexão com a terra não é espiritual? Em Novembro de 2008 eu estava na Índia (Delhi, Jaipur), e pude ver que apresentando uma abordagem anti-industrial ressoou entre as pessoas de várias origens espirituais, incluindo pessoas influenciadas por Gandhi.

Vozes e atividades primitivas dispersas já existem na Rússia, China e nas Filipinas, e sem dúvida em outras regiões. Isso pode ainda não constituir um movimento surgindo de baixo da superfície, mas a realidade está empurrando nesta direção, como eu vejo isso. Não é apenas uma evolução
lógica, mas uma que visa o coração da negação reinante, e há muito esperada.

Esta movimento primitivista nascente deve vir como nenhuma surpresa dado ao escurecimento da crise que vemos, envolvendo todas as esferas da vida. É armado contra o industrialismo e as promessas da alta tecnologia, que só têm agravado a crise. A guerra contra o mundo natural e uma tecno-cultura cada vez é mais árida e desolado, são fatos gritantes. A máquina não é a resposta, mas é profundamente, o problema. Tradicionalmente o anarquismo de esquerda quer as fábricas para serem auto-gestionadas pelos trabalhadores.

Nós queremos um mundo sem fábricas. Eu poderia ser mais claro, por exemplo, que o aquecimento global é uma função da industrialização? Ambos começaram há 200 anos, e cada passo em direção a uma maior industrialização tem sido um passo em direção a um maior aquecimento global.

A perspectiva primitivista baseia-se em indígenas, na sabedoria pré-domesticada, tenta aprender com os milhões de anos de existência humana antes da/para a civilização. A vida de caçadores-coletores, também conhecida como a sociedade de bandos, era a original e a única anarquia: comunidades face a face em que as pessoas assumiam a responsabilidade para si
próprios e uns aos outros. Queremos que haja alguma versão disto, um mundo-vida radicalmente descentralizado, e não a globalização, a padronização da sociedade de massas, em que todas as tecnologias brilhantes repousam sobre a escravidão de milhões de pessoas e a sistemática matança da terra. Alguns estão horrorizados por estes novos conceitos. Noam Chomsky, que ainda acredita em todas as mentiras do progresso, chama-nos de "genocidistas" . Como se a continuação da proliferação do tecno-mundo moderno não já é genocida!

Eu vejo um crescente interesse em desafiar essa marcha da morte em que estamos. Afinal, onde o iluminismo ou a modernidade fez algo de bom em seus pedidos de melhoria? A realidade é constantemente empobrecida em todos os sentidos. Os hoje quase rotineiros massacres em escolas, shoppings e locais de trabalho falam tão alto quanto o desastre ecológico que tem desdobramento em torno do globo. A esquerda tentou bloquear o aprofundamento extremamente necessário do discurso público, que inclui um questionamento da real profundidade das evoluções assustadoras que enfrentamos. A Esquerda precisa de ir de maneira radical, visões inspiradas podem vir mais à frente e serem compartilhadas.

Um mundo cada vez mais tecnificado onde tudo está em risco só é inevitável se continuarmos a aceitá-lo como tal. A dinâmica de tudo isso repousa nas instituições primárias que devem ser contestadas. Estamos vendo o início deste desafio agora, superando as falsas alegações de tecnologia, capital, e da cultura pós-moderna de cinismo e superando o cadáver da esquerda,
e os seus horizontes ilimitados.

Ver mais em: http://www.johnzerz an.net/articles/

    segunda-feira, 8 de junho de 2009

    PRISÃO SEM MUROS


    Mais um dia entre a massa, nas ruas nos transportes coletivos, nos bancos e supermercados, as pessoas se aglomeram buscando espaço pra respirarem aliviadas do massacre diário exercido por aquilo que chamamos de “VIDA COMUM”.
    Essa coisa está em todos os lugares tirando o resto de vida que ainda temos. Oito horas ou mais, dedicadas a algo que realmente não tem nenhum valor pra você.

    Escolas que reprimem as crianças tomando delas toda a espontaneidade baseadas em valores morais que antes foram estabelecidos pelo senhor burguês branco europeu, como mais uma forma de manipulação sobre o povo. O capital tenta todos os dias roubar o brilho de nossos olhos, injetando cada dia mais medo e desconfiança em nossas ações.
    Sejamos nós o contraste, o avesso, um espelho onde a apatia e a alienação possam bater e voltar de onde vieram. O coração pega fogo. Nós ainda respiramos nesse vale escuro, se é preciso caminhar nas sombras então que seja assim.
    A cordialidade será deixada de lado, ações se fazem necessárias, como jovens raposas descobrindo que pra viver é necessário subverter valores. Quem diz o que é certo ou errado somos nós e ninguém mais. Seremos traidores desleais entre os bons heróis do capital. Jogaremos com suas mesmas armas, lhes faremos confiar em nossas palavras e no alto do entusiasmo aplicaremos a rasteira e os veremos cair de cara, isso se ainda houver um chão. A discórdia será implantada aos pouco em todos os setores nós os veremos se comerem vivos pelo dinheiro pelo poder por seja lá o que for.
    Continuamos aqui esmagando o preconceito e a intolerância seja aonde for, nas mais simples ações.
    A fé em todas suas formas será desmistificada. Não contribuiremos com mais essa mentira. De acordo com os grandes donos da terra, nós somos burros e só servimos pra dar lucro. Está bem, aceitamos isso, mas dessa vez esse lucro terá gosto de vingança. Imaginem séculos de repressão revertidos em contra-ataque, como poderão conter? Eles vão bater e nós vamos levantar e tentar de novo, não adianta, não iremos perder. Ontem o receio foi embora, hoje percebemos o quanto nossas vidas podem ser melhores. Lembro de um show onde ouvimos a frase “SE FOR SERVIR AO CAPITAL SEJA DESLEAL” isso nunca fez tanto sentido como agora.
    Seja esperto não tenha piedade, pois eles não sabem o que é isso. Abram os olhos, descubram seus reais inimigos. Independentemente do rótulo que carregue, saiba reconhecer quem é oprimido assim como você. Quebre o gelo, estabeleça o diálogo, esqueça as aparências e vá de encontro ao desconhecido.

    ISSO NÃO SE RESTRINGE A NENHUM GRUPO, TRIBO OU MOVIMENTO todos devem ser atingidos. Devolva o ódio a quem faz por merecer .


    Falem o que quiser, mas nós os garotos e garotas punks seremos chatos até o fim, mas nossas vidas terão algum sentido somos nossos próprios senhores xxx.



    PRISÃO SEM MUROS

    terça-feira, 26 de maio de 2009

    Contra o capital, emergem os Black Blocs


    [Como se viu na reunião da cúpula do G-20 em Londres, os Black Blocs são a lança inflexível dos enfrentamentos com a polícia, a destruição de propriedades capitalistas e a ocupação momentânea de certas zonas centrais das cidades.]

    Hakim Bey poderia contemplar a influência de sua obra através das telas de televisão. O teórico da TAZ, Zona Autônoma Temporária (Temporary Autonomous Zone), criou um conceito que determinados grupos logo converteram nos Black Blocs. Estes grupos são os que, no curso das manifestações contra o G-7, a OTAN, o FMI e o G-20, ocupam a cabeceira das mobilizações e se transformam em comando de choque: sucursais de bancos destruídas, automóveis de luxo queimados, vitrines de lojas “para ricos” quebradas e enfrentamentos diretos com as forças da “ordem” que caracterizam um modo de ação que remonta os anos 80 e que a partir dos 90 utilizou os princípios enunciados por Hakim Bey. Este autor anarquista se chama na realidade Peter Lamborn Wilson. Escritor, poeta e político, Wilson se define como um "anarquista ontologista".
    Sua obra, que é escrita com o pseudônimo de Hakim Bey, teoriza uma força crítica de ocupar o espaço controlado pelos aparatos estatais. As TAZ “aparecem e desaparecem para escapar melhor dos agrimensores do Estado. As TAZ ocupam provisoriamente um território, no espaço, no tempo, no imaginário e se dissolve enquanto está sendo repercutida. (...) A TAZ é uma insurreição fora do Tempo e da História, uma tática de desapropriação”. A tradução mais extrema e moderna desse enunciado foi modelada nas operações do que hoje são chamados os Black Blocs: ocupar um território ou espaço durante uma manifestação, destruir propriedades capitalistas como bancos, comércios de luxo, sedes de multinacionais e expressar com isso o repúdio ao sistema.
    Como se viu na reunião de cúpula do G-20 em Londres, e a da OTAN organizada dias depois na cidade francesa de Estrasburgo, os Black Blocs são a lança inflexível dos enfrentamentos com as forças da “ordem” e a ocupação momentânea de certas zonas centrais das cidades: “Se trata de mostrar ao poder que isso é uma nuvem de desordem, e de celebração anti-sistema capitalista”, explica Julien, um Black Bloc belga que participou da tomada do Banco da Inglaterra durante a reunião do G-20 e logo depois viajou à França para integrar os BB que participaram das manifestações em Estrasburgo durante a reunião da OTAN.
    OTAN, Banco Mundial, G-7, G-20, Fundo Monetário Internacional, Cúpulas Européias, Organização Mundial do Comércio, são “nossos alvos ‘preferidos’ porque estas instituições encarnam a pior versão da gestão de assuntos humanos”, complementa Julien. Os BB não são, contudo, um movimento organizado ou uma estrutura funcional com uma doutrinação. Se trata de um núcleo horizontal, de um grupo de afinidades que se formam segundo as ocasiões e que conta com componentes de várias linhas: anarquistas, anticapitalistas, libertários, extrema esquerda, autônomos, ecologistas radicais, etc, etc. Jonathan, um aguerrido irlandês de 26 anos, adverte que não se é do Black Blocs, como se afirma ser comunista ou de extrema esquerda. Black Bloc não é uma “marca” mas sim pertence em suas atitudes a eles mesmos. “Não somos uma nuvem anarquista como nos definem por aí, mas sim encaramos uma determinada maneira de assumir nossas ações.” Os BB mudaram o esquema de organização tradicional do movimento operário, estudantil e de movimentos sociais. Os chamados “grupos de afinidades” representam a idéia de comunidade ou de pertencimento à uma classe para criar uma gestão não-centralizada, independente das demais, mas com um objetivo de ação em comum, para aquele determinado momento: sejam os bancos, lojas de luxo etc.
    A marca operacional dos BB já deu a volta ao mundo, sempre entram em cena com carrinhos cheios de projéteis como limões e soro fisiológico contra os gases lacrimogêneos. Alguns usam capacetes de moto, outros panos cobrindo o rosto, máscaras de natação ou de esqui, máscaras de gás ou com rostos de algum dirigente mundial, paus, correntes e em alguns casos coquetéis molotov. Jean Michel, um BB francês que foi detido em Estrasburgo logo após o incêndio de um hotel e de um centro comercial, admite que com essas ações “não é para mudar a sociedade, ou transformar radicalmente o sistema. Mas queremos ao menos demonstrar que não nos resignamos, que frente à violência oficial que nos é impingida diariamente, à todo o controle, a desigualdade destruidora e à impunidade dos sistemas há uma confraria insurgente que afirma que esse não é o seu sistema, e nem suas práticas”.
    O nome Black Blocs provêm dos primeiros grupos críticos, quando no centro das manifestações se agrupavam em bloco, vestidos de negro. As interpretações de suas origens, ainda que divergentes, tem uma mesma raiz: são os movimentos de ultra-esquerda da Europa que iniciaram as ações dos anos 80. Entre eles, se destaca o movimento autônomo alemão, que se caracterizou pelo enfrentamento direto com a polícia, e ocupação de ruas e espaços públicos. O coletivo alemão "Schwarzer Block” se formou nos anos 80 em defesa de lugares autogestionados e do direito à ocupação de casas desocupadas. Este ramo nascente propunha uma crítica e uma prática radical em total ruptura com os modos de protesto tradicionais. Os BB entraram logo em cena, em ocasiões ambas muito reprimidas: uma em 1991 nos Estados Unidos durante a manifestações contra a Primeira Guerra do Golfo, a segunda e mais espetacular em 30 de novembro e 1 de dezembro de 1999, na cidade de Seattle, quando da reunião de cúpula da OMC. A reunião teve de ser interrompida graças às manifestações e ações provocadas pelos BB.
    Foram a partir desses episódios que os Black Blocs levaram a prática a idéia de Zonas Autônomas Temporárias teorizada por Hakim Bey. Os BB destruíram vitrines de bancos, cafés, restaurantes, bares burgueses e sucursais da Nike. Ao longo de muitas horas, mais de um bairro da cidade de Seattle foi ocupado e transformado em ZAT.
    O grupo Revolutionary Anti-Capitalist Block (RACB) e Anti-Statist Black Bloc (ASBB) são os BB mais conhecidos pela envergadura de suas ações. Há também grupos como os Clown Bloc, que introduziram uma forma distinta de ocupação mediante a paródia na esfera pública oficial e as instituições graças à uma demonstração de espetáculos e teatros de rua.
    Ainda que o princípio dos Schwarzer Block estendeu-se ao mundo inteiro, segue sendo na Alemanha onde persistem com mais força. Os BB agrupam mais de 70 organizações cuja atividade vai de Berlim, passando por Hamburgo, Ruhr até Dresde. Segundo informes alemães, esse exército anarquista apresenta por volta de 6000 pessoas. A forma desses grupos se encontrarem tem sido a internet, uma passarela de comunicação ideal que vem “decompor a imagem das instituições e do sistema que domina o mundo”, explica Franz, um BB alemão. Antônio, de origem espanhola, resume todo o pensamento dos BB quando afirma: “A única forma de colocar o capitalismo em perigo é atacando seu coração, ou seja, a propriedade”. Os Black Blocs se apresentam como um antídoto contra o conformismo. No entanto, seu modo de ação há acentuado também a amplitude e brutalidade da repressão policial e das “forças da ordem”. Antonio, porém, descarta essas críticas ao explicar: “É o preço para que o capitalismo exterminador sofra em sua própria carne as degradações humanas que ele mesmo comete”, uma vez que, com ou sem BB, as repressões policiais e violências, sempre estiveram aí.

    Por Eduardo Febbro - Desde Paris

    Tradução > Palomilla Negra

    agência de notícias anarquistas-ana

    A diversidade do movimento anarquista mundo afora


    [Acontecerá nos próximos dias em diversas partes do mundo uma série de eventos libertários que espalham a luta, a intensidade, a vibração, a história e a diversidade do movimento anarquista atual, que, "aos trancos e barrancos", segue crescendo paulatinamente. Na seqüência uma "pequena" mostra desta vivacidade anárquica.]
    [Portugal]
    Em 22, 23 e 24 de maio acontece em Lisboa a “Feira do Livro Anarquista”. Segundo o/as organizadores da jornada, eles querem “ir além da informação e da opinião. Partindo de diferentes projetos, pretendemos criar um espaço de discussão, reflexão, encontro e confronto de idéias anarquistas, onde cada um destes projetos se possa desenvolver. Numa tentativa de encontrar e conhecer outros indivíduos e descobrir potenciais cúmplices no que cada um de nós deseja, continuamos (e continuaremos) a dar importância à palavra escrita enquanto ferramenta de comunicação e ataque.” Mais infos: http://www.blogger.com/feiradolivroanarquista.blogspot.com
    [Reino Unido]
    Anarquistas da cidade de Cardiff vão realizar pela primeira vez, em 23 de maio, a "Feira do Livro Anarquista". O encontro apresentará durante um dia palestras, debates e um espaço para a criação de redes, bem como barracas com livros, revistas, jornais, DVDs, CDs, camisetas, bottons e muito mais, com as contribuições de grupos locais, nacionais e organizações internacionais, distribuidores, editores, campanhas, ativistas e coletivos anarquistas. O evento será encerrado com um grande painel de discussão sobre "o tipo de movimento anarquista que queremos". Mais infos: http://www.southwalesanarchists.org/
    [Itália]
    Acontece em Modena, numa antiga fábrica de queijo ocupada, nos dias 22, 23 e 24 de maio, a tradicional "Feira da Autogestão". Três dias de debates, exposições, mostra de filmes, concertos e oficinas práticas aqui e agora de alternativas autogestionárias. Exemplo: "Laboratório de autoprodução de energia solar". Mais infos: http://www.libera-unidea.org/
    [México]
    A Federação Local Libertária organiza no dia 23 de maio, no Centro Social Libertário Ricardo Flores Magon, no Distrito Federal, capital do México, a “Videorevista SIN(A)PSIS e NOTILIBERTAS”. Si[a]psis é um projeto de contra-informação audiovisual cujo objetivo é a difusão das idéias e práticas de distintos movimentos sociais autônomos, autogestivos, revolucionários e libertários na República do Chile. Por outro lado, A Cooperativa Libertas Anticorp é um projeto libertário que trabalha os meios livres, mediante a criação e difusão de material de TV pela internet e material de vídeo documental copyleft e creative commons. São abordados temas do movimento político- social no México como Oaxaca, Atenco, Chiapas, Guerrero etc. Na programação do evento palestras com o/as realizadore/as de ambos os projetos; projeção e debate dos melhores trabalhos de ambas as produtoras libertárias; e venda das edições de Videorevista Sin(a)psis e os documentários da Libertas Anticorp. Mais infos: http://colectivoautonomomagonista.blogspot.com/
    [Brasil]
    No Rio de Janeiro, nos dias 26 e 27 de maio, acontece o “Colóquio 200 Anos de Proudhon”. De acordo com os organizadore/as, a realização deste colóquio “visa apresentar este pensador aos setores dos movimentos sociais e comunidades acadêmicas que se interessem por ter contato com a vida e a obra de Proudhon, explorando diversos temas como: “Proudhon e a Dialética”, “O mito da classe produtiva em Proudhon”, “A Contribuição de Proudhon para o Brasil”, “Crítica à Propriedade pelo Movimentos Sociais”, “Proudhon e a Franco-Maçonaria”, “Proudhon e Educação”. Mais infos: http://www.ifcs.ufrj.br/~amorj/
    Ainda no Rio de Janeiro, no Centro de Cultura Social, no dia 23 de maio, acontecerá o lançamento do livro "Anarquismo Social", feito pela Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), “após cinco breves, mas não menos intensos anos de luta política e social”. A obra lietrária passa por diversos temas: anarquismo social; luta de classes e relações centro-periferia; breve história do anarquismo no Brasil; perda e tentativa de retomada do vetor social do anarquismo; capitalismo e Estado; a revolução social e o socialismo libertário como objetivos finalistas; os movimentos sociais e a organização popular. Na ocasião também será inaugurado o cine-clube “Tiê-Sangue”, com a exibição de filmes produzidos pelos coletivos de produção visual “Tiê-Sangue” e “Bucaneiro”. Durante o evento comes e bebes. Mais infos: http://www.farj.org/
    [Espanha]
    A "Feira Libertária" de Madri acontece em 22, 23 e 24 de maio. Na programação debates: “Nacionalismo e Anarquismo”, “Movimento Obreiro durante os anos 70 e 80”, “Mulher e Anarcosindicalismo”; mostra de vídeos: “Movimento de bairro em Atenas”, “Mulheres Livres”; mais exposição, venda e lançamento de livros: “José Pellicer. Um Anarquista”, “Anarcosindicalismo. Teoria e Prática”. Todos os dias comedor vegano. A Feira é organizada e acontece no amplo espaço da Federação Local de Madri da CNT-AIT. Mais infos: http://sovmadrid.cnt.es/comunicamos6.htm#feria
    Em Barcelona, de 26 a 31 de maio, acontece o “OVNI 2009 RIZOMAS”, com uma extensa e ótima programação de vídeos, concertos, intervenções e debates, com John Zerzan, do Green Anarchy, “Critica da Civilização”; Espai em Blanc, “Digno é tudo aquilo que merece não ser destruído”; Abdelnour Prado, “O islam como anarquismo místico”; E.Duran, M.Deriu e F.Schneider, “Frente à crise do crescimento, Decrescimento!”; e Alberto Arce. “Gaza, Riscados do mapa”. Mais infos: http://www.desorg.org/ Rizomas: “Um sistema sem centro, hierarquias nem significado fechado, sem um General e sem memória organizativa ou automatismo central, definido unicamente por uma circulação de estados e intensidades”.
    A “8º Tatoo Convenção" de tatuagens beneficente aos preso/as e acusado/as judicialmente, acontece em Barcelona, no Ateneu del "Maig 37", em 22, 23 e 24 de maio. A primeira Convenção foi realizada em Roma (Itália), em maio de 2007, depois em Torino, Barcelona em outubro de 2008, em maio de 2008 novamente em Roma, em setembro em Chiclana, Cadiz, em outubro em Tessalônica (Grécia), e neste ano, em 15, 16 e 17 de maio em Roma e agora em 22, 23 e 24 em Barcelona. O/as organizadore/as explicam: “A cada ano se expande mais o “Tattoo Circus” como outra ferramenta solidária e autogestionária. Na “Tattoo Circus” participam tatuadores, piercings, malabaristas e tantos outros personagens de forma desinteressada, sem fim lucrativo, em um encontro solidário comum, a Liberdade! Não se pretende competir, nem exigir níveis artísticos. Participam quem esteja aberto a um encontro de amizade, intercâmbio de experiências e, sobretudo, uma causa comum. A entrada não será cobrada, mas não pode entrar cachorros, nem outro animal, por uma questão de higiene. O bar terá preços populares e os comedores serão a vontade, porque pretendemos uma consciência sem exigir um preço pautado. Neste fim de semana desfrutaremos de grafites, exposições de cartazes, tatuadores de diferentes estilos, escarificações, concertos, comidas, uma variedade de malabaristas, acrobatas, clown, equilibrismo, trapézio, mágicas, suspensões (se buscas adrenalina, venha se pendurar!), curtas metragens, amigo/as, risadas, surpresas, aplausos, criatividade, informação, DJs, bailes, tragos e muuuuuita tinta.”
    De 23 até 30 de maio a CNT-AIT de Sevilha organizará a "XI Jornadas Libertárias". O/as organizadore/as contam: “A Jornada começa com uma festa com as avós de São Bernardo e culminam com itinerário histórico nas vizinhanças onde foi gestada a resistência trabalhadora ao Golpe de Estado de 18 de julho de 1936. Em ambas caminhadas conheceremos histórias diversas que representam uma mesma luta para conquistar e construir espaços de liberdade e solidariedade. Assim apresentaremos o livro “Anarquismo e Antropologia”, do nosso companheiro Beltrán Roca. Também conheceremos propostas de autogestão libertária como alternativa ao modelo capitalista atual. Além disso, debateremos a luta pela defesa de uma cultura livre, contra as políticas oficiais restritivas que estão sendo impostas e intensificadas dia-a-dia, e ainda teremos a oportunidade de passar uma tarde com o/as vizinho/as de alguns bairros em luta de nossa cidade, que compartilham o objetivo comum de ser protagonistas de sua própria história cotidiana. Estas Jornadas será um lugar de encontro, debate e discussão ao redor de idéias e práticas de luta coletiva e um espaço comum em que vamos nos divertir, compartilhar experiências, abrir novas perspectivas e somar forças para continuar a luta.” Em todos os dias da Jornada haverá degustação de produtos da La Ortiga (cooperativa de consumo de produtos ecológicos de Sevilha). Mais infos: http://sevilla.cnt-ait.es/cms/index.php?option=com_content&task=view&id=191&Itemid=1
    [Grécia]
    Durante os dias 27, 28, 29, 30 e 31 de maio acontece a "4˚ Feira do Livro Anarquista" dos Bálcãs, nos dias 27 e 28 a Feira rola em Tessalônica, já em 29, 30 e 31 o evento passa a acontecer em Atenas. Ambas sob o lema “Bálcãs, da exploração e nacionalismo, aos Bálcãs de solidariedade e luta”. Na programação, além das mostras de vídeos e lançamentos de livros, festival de canções balcânicas, discussões sobre: “A história do Movimento Anarquista Búlgaro”, “Nestor Makhno”, “Bálcãs nacionalistas aos Bálcãs de solidariedade”, entre outros temas. O evento contará com a participação do conhecido historiador anarquista sérvio Andrej Grubačić. Mais infos: http://www.balkanbookfair.org/
    [EUA]
    Nos dias 21, 22, 23 e 24 de maio, em San Francisco, na Califórnia, acontece o "Festival e Convergência" em comemoração ao 29º aniversário do Food Not Bombs (Comidas Sim, Bombas Não), com uma série de eventos ao ar livre e num anfiteatro, com uma programação muito boa em torno de debates, mostra de filmes, exposições, performances com palhaços e dançarinos, concertos, jogos, oficinas, atividades e espaços para crianças. Tudo numa área de 317 hectares, com árvores, trilhas... no meio da natureza! Mais infos: http://www.soupstock.org/
    Da Lua Nova à Lua Cheia, de 24 de maio a 6 de junho, acontece no Sul do Colorado, na Floresta Nacional, num ambiente selvagem, o "Acampamento Anti-civilização e Primitivista", chamado de "Feral Futures", que estará "centrado" em diversos workshops, estratégias e táticas anti-civilização e primitivistas, entre outras atividades de conexão com a natureza. Mais infos: www.myspace.com/feralfutures
    agência de notícias anarquistas-ana

    quarta-feira, 13 de maio de 2009

    x Straight Edge é Politica x

    Já faz um tempo que venho pensando sobre esse assunto e em tudo que envolve o Straight Edge e suas evoluções. Tenho me perguntado pra onde caminham nossas posturas e nossas decisões . O SxE nasceu como postura de rompimento dentro do atual estado das coisas, é como se o punk fosse um bêbado com um "a" de anarquia tatuado no braço e uma garrafa de pinga, vestindo uma camisa do dead kennedys voltando pra casa e o SxE fosse o amigo que vem pra ajudá-lo a chegar em casa e dar alguns conselhos.

    Talvez essa seja a imagem do SxE positivo que tanta gente fala, o punk que viu que era possível fazer as coisas sem ter que se fuder e aceitar tudo aquilo que lhe fizeram acreditar como única saída. Pra mim, a negação a tudo isso faz o SxE ser político.

    Uma coisa que é importante dizer é que o SxE não pode nunca se fechar para o mundo, ele tem sim esse caráter de mudança social, ou seja, tem que estar em constante evolução. SxE é idéia, e idéias precisam ser questionadas pra poderem evoluir! É dever nosso a auto-crítica, isso fortalece a idéia. Fazemos parte de um meio em que tudo deve ser posto em cheque, aceitar as coisas assim facilmente é no mínimo incoerência, devemos ver o que há por trás de tudo inclusive de nós mesmo.

    As brigas de punk VS pride, ateus VS cristão, pro-choice VS pro-life são coisas a se pensar, talvez um pouco mais de respeito por parte dos dois lados seja o ideal. Não falo pra sermos todos amigos de infância, mas sim o mínimo de tolerância com a outra parte e que fique bem claro que este texto não tem a intenção de atacar ninguém, apenas estou falando das coisas que eu acredito, acho que todos têm esse direito. Quem sabe assim não conseguimos um dia viver como na capa daquele split do BETERCORE com o BOYCOT aonde tem um punk dando a mão pra um SxE youth crew, nossa convivência é inevitável, direto nos esbarramos na rua e fica difícil sair na porrada toda vez que isso acontece e creio que ninguém quer guerra a vida toda, pelo menos eu não quero.

    No começo o SxE era vinculado com a negação de várias coisas e hoje muita gente já acha que ele é um movimento próprio que foi adaptado pelo sistema pra gerar lucro. Pelo contrário, SxE é a contra mão disso, então por isso me entristece ver alguém com um "x" na mão e um Nike no pé. É o tipo de coisa que é inconcebível pra mim, fico pensando se o cara realmente sabe os males que esse tipo de futilidade acarreta para a vida de outras pessoas, é como se a única coisa que importasse fosse o seu próprio bem estar.

    SxE também tem a ver com solidariedade, mesmo sendo uma idéia pessoal ele atinge a vida de outras pessoas direta ou indiretamente, só pra dar alguns exemplos: com certeza sua família prefere você livre de drogas, certamente isso é um exemplo direto. O vendedor de bebidas/drogas que vai deixar de lucrar é um exemplo indireto. Citei isso pra mostrar como é ingenuidade achar que SxE é algo que só afeta a você mesmo. Só pra se ter uma idéia dos males que a indústria e o capital trazem a nossas vidas, vou falar um pouco das Multinacionais. A coca-cola, por exemplo, causa todos os anos um enorme desequilíbrio ambiental causado pela imensa quantidade de água desperdiçada por suas fábricas engarrafadoras na sua produção, sem contar nas pessoas que são mortas com a conivência da empresa por apresentarem algum tipo de risco ao segredo do refrigerante ou água negra do capital. Você sabia que a nike explora milhões de pessoas miseráveis nos países onde a situação econômica é mais critica, onde podem fazer seus operários trabalharem 12 horas por dia ganhando menos de 30 centavos por dia? A nike tem fábricas ao redor do mundo, especialmente em países de terceiro mundo, onde as leis são escassas e onde os direitos humanos não são respeitados. As fábricas empregam trabalhadores menores de idade, crianças de 12 e13 anos trabalhando em turnos de 12 horas em condições tão horríveis que seria difícil achar algo parecido em nosso país. Eles lucram milhões com o sofrimento de pessoas e vendem a imagem de que é super legal ter um nike no pé. Isso é no mínimo algo a se pensar, não acham?

    Esses foram apenas dois exemplos, podemos ver isso todos os dias até nas ações mais pequenas como comprar um jornal pra ler e tomar café da manhã com a família, basta prestar mais atenção e não sermos tão arrogantes diante das coisas.

    O capital desperta o que há de pior no ser humano!

    A retomada da identidade política no Straight Edge é algo que devemos buscar. Chega de pose e apatia, devemos sim nos preocupar com outras coisas. Ao invés de moshar e manter o visual, desassociar o SxE da política é o mesmo que ser vegano unicamente por questão de saúde, nem preciso mais dizer o quanto o SxE pode ir além dessas coisas fúteis, acho que todos sabemos aonde ele pode chegar mesmo estando em constante evolução assim com as pessoas. Não quero aqui também ser o dono da verdade, mesmo porque não acredito em verdade absoluta, quero mais é que me façam refletir sobre minhas próprias convicções e se eu achar necessário mudar de postura, o farei. Essa sim será uma atitude coerente com tudo que prezo, nem a vaidade e nem o ego irão me cegar.

    É necessário ler mais e dialogar mais sobre as nossas duvidas e certezas, sair as ruas e ver como a vida é de verdade e não achar que o SxE/Hardcore é um outro mundo. Estamos inseridos neste contexto chamado sociedade e é nele que devemos atuar, como diz o NO VIOLENCE: “em todas as frentes temos que lutar, há um novo dia por vir”.

    Temos um potencial imenso, mas precisa ser posto em prática, se não de nada vale tudo o que sabemos. Só a organização aliada a ação é que fazem a diferença, mas pra isso é preciso querer essa mudança e se sentir incomodado com o atual cenário das coisas e é isso que eu sinto falta hoje em dia, parece que já conquistamos tudo e nada mais precisa ser feito. Não, eu não penso assim, temos uma porção de batalhas pela frente e acho que o SxE pode ser UMA das maneiras de lutarmos contra tudo aquilo que nos tira o direito de ser quem queremos ser.

    Bem, já falei demais é hora de deixar as pessoas pensarem sobre tudo o que disse mas que fique bem claro: Straight Edge é política, Straight Edge é revolução .


    Por favor se você leu tudo isso e achou uma grande merda, se expresse e mostre seus pontos de vista! Sentirei prazer em discutir de forma respeitosa e amigável com quem quer que seja .
    NÃO JOGUE ESTE MATERIAL NO LIXO. Não gostou? Passe adiante, gostou?leia e passe pra frente, não monopolize a informação talvez tenha alguma serventia para outra pessoa
    .

    ESTE TEXTO SERÁ PUBLICADO COMO PARTE DO FANZINE IMPRESSO JUVENTUDE INCONFORMADA


    Estou pouco me importando para os possíveis erros gramaticais!

    XlazaroX

    E-mail para contato: kaosedanos@hotmail.com